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junho 2010

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People-Toy Story
27 de junho de 2010 at 22:05 0
Para quem AINDA não viu, sugiro que vá correndo ver Toy Story 3.
Além da produção e efeitos maravilhosos - já esperados - temos um conjunto de lições e emoções que refletem o nosso cotidiano e a nossa vida.
Você ri, chora, se assusta com as inesperadas e empolgantes cenas, se surpreende com a delicadeza e com a sutileza do sentir e das ações. Uma aula de comportamento humano. De valores que estamos esquecendo e deixando de lado, assim como se fosse uma "coisa" menos importante. Isso tudo entendendo esse contexto de hoje em que tudo, ou quase tudo é descartável, dispensável, "trocável".

Toy Story cuida disso muito bem. E esse "isso" é a LEALDADE. Palavra e valor que estamos deixando pra trás sem sentir, sem nos dar conta.
A luta daqueles "seres-brinquedos" por estarem juntos, por acreditarem, por saberem que não podiam simplesmente abandonar, é realmente impressionante. Uma saga que precisávamos viver um dia...
O filme nos mostra o outro lado de tudo e até de uma Organização, de uma família, de um lugar. Com o lado "bom" e o "mau", os personagens se dividem e nos inspiram a pensar e refletir de que lado estamos, com que tipo de "líder" queremos ficar e consentir. Sim, con-sentir. Se ficamos, se permitimos é porque sentimos que devemos, mas infelizmente não refletimos, não pensamos, não nos colocamos verdadeiramente à prova. E o pior, não tomamos uma decisão de lutar.
A sensação que tive no filme, foi a de que estamos cada vez mais subjulgados ao "lugar", à empresa, à coisa que nos prende - ou supostamente prende - a um modelo que não é o nosso. Mas, ficamos. Por várias razões, é claro. Mas ficamos.
Pois eles - os "seres brinquedos" NÃO FICAM. Dá vontade de contar o filme, mas quero muito inspirá-los a assistir com um olhar de experiência vivida ou possivelmente vivida e com a delicadeza e a humildade dos que querem aprender.

Ver a doação exercida plenamente em conjunto com a consciência e o dever a si mesmo e ao outro é mais um exemplo retumbante do filme. Uma linda história de escolhas curtidas e vividas na plenitude e na sabedoria dos que querem um alvo, dos que realmente cumprem com o seu propósito de VIDA. E sabem qual o propósito desses seres brinquedos? O de servirem para brincar e ainda, o de permanecerem JUNTOS e unidos.

Toy Story tem muitos outros exemplos e lições, mas é melhor deixar para cada um ver e levar para o exercício da vida.
Dedicação, luta, coragem e lealdade são a marca do filme. Tudo e mais um pouco com muito humor e emoção. Com muita verdade e sensibilidade.
Que bom as crianças estarem sendo "tocadas" por isso. Melhor ainda que seus pais também estejam e que com isso, possam ajudar na criação de "seres humanos" melhores.
Hoje, só por hoje, os "seres brinquedos" de Toy Story estão ganhando.
BRAVO aos resgastes do Sr.Disney !!! Ele deve estar muito feliz...
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Feliz Conectado
22 de junho de 2010 at 12:50 0
Ontem pude ter uma noção bastante PODEROSA desse maravilhoso novo mundo virtual. Dezenas de pessoas mandando mensagens pelo facebook, linkedin, Orkut. Mais outras dezenas mandando emails e outras telefonando, falando comigo e deixando mensagens. E ai lembrei do antigo telegrama fonado. Olhem o nome ??? FONADO. É muito feio...né? Hoje acho feio, mas já me serviu bastante....já nos serviu bastante. Pelo menos para aqueles que são dessa época. Será que ele AINDA existe. Imagine que você ligava para um número de telefone e DITAVA a sua mensagem para o destinatário. Falava com alguém que te ouvia e esse alguém escrevia a sua mensagem, mas de certa forma, participava dela. Lembro de uma vez que mandei uma mensagem para uma amiga querida e estava inspirado com um texto emocional, cheio de esperança, força, etc....Quando terminei a mocinha do outro lado me disse: “puxa vida, que lindo. Tenho certeza que sua amiga vai chorar, porque eu já to chorando...”. Maravilhoso mundo da troca de cartas e das falas ouvidas e escritas.
Nada diferente pois, do mundo de “hoje”, quando “ouço” e me emociono vendo, lendo, sentindo a mensagem de todos, lá publicadas. Isso mesmo PUBLICA-DAS. Ou seja, a diferença retumbante para as cartas e telegramas fonados, é que o desejo e os sentimentos se tornaram públicos. Assim, como se fosse uma serenata. Aquela da música a beira do balcão, na calçada pra mulher amada. Pois ontem me senti assim. AMADO por todos os amigos que carinhosamente fizeram lindas “serenatas” para mim. Eu podia até ouvir a voz de todos e sem dúvida nenhuma pude sentir uma imensa alegria no meu coração.
Pude constatar também e confirmar que o “fluxo” da minha vida é também dar e receber amor e amizade. Me relacionar, travar relações, conectar-me e fazer as conexões. Isso é como a música para mim. Uma paixão. Minha verdadeira paixão. Não a música em si, mas o que ela me traz, o que ela e as relações legais fazem na minha vida, me tornando uma pessoa melhor. Buscando cada vez mais o acerto, o bem e a vontade de viver e entregar meu Propósito de Vida e cumprir com o meu chamado, minha vocação.

Ontem e ainda hoje, pude sentir o abraço carinhoso de todos no feliz exercício da conexão. E quando falo de conexões, falo de todas elas. Do telegrama fonado, cartões postais, cartas até o facebook, linkedin e Orkut. Receber uma mensagem da Manu, minha sobrinha de coração no Orkut, como se estivesse falando comigo (e para ela, estava mesmo), é no mínimo um prazer de saber que estou VIVO de “despierto” (como diz a minha amada mulher) para a VIDA. Ouvir a voz doce e meiga da minha afilhada Carol me dando "parabéns tio Nélio", me emocionam da mesma forma. Uma delícia!!!
Pois então vamos nos conectar sempre, valorizar todas as maneiras de posts e vozes. Tudo vale quando a intenção é boa, é do bem.

Agradeço a todos com meu coração conectado no AMOR, na LUZ e na ALEGRIA de saber que estamos VIVOS e prestando atenção a tudo o que nos cerca. Uma maravilha dessa nova era. Uma benção para os que estão distantes e podem estar "próximos". Mas, isso tudo não invalida ou melhor não nos separa do ABRAÇO real e caloroso. Pouco a pouco vamos nos abraçando na vida. No tempo certo, mas sem esquecer que quando nos abraçamos “de verdade”, estamos confirmando e completando nossas conexões, digamos assim, virtuais. Portanto, vamos aproveitar mais os nossos abraços e demorar bastante neles. Adoro abraçar...

Bravo aos “nerds” maravilhosos que inventaram tudo isso!
Abraços aos que aderem a esse mundo incrível que aproxima as pessoas!
Coragem, para aqueles que ainda não aderiram aos telegramas e cartas virtuais que passam a MESMA mensagem do coração para os dedos e para o mundo sem volta.
Dá no mesmo...Na corrente da conexão do AMOR.
Valeu :) :) :)
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A Arte Imoral. Alma e Sagração.
9 de junho de 2010 at 11:40 2
Nesse fim de semana tive uma experiência duplamente IMORAl, transgressora, ao avesso, deformadamente maravilhosa. Ao contrário mesmo. Do jeito que muitas vezes devemos nos ver e nos sentir.

Fui ouvir e navegar nas cordas e acordes magicamente escandalosos de Stravinsky e a SUA, e por que não dizer NOSSA, Sagração da Primavera. E já partindo para a outra experiência que rompe com o que achamos CERTO; fui ver, sentir e lembrar para sempre de A Alma Imoral de Nilton Bonder com a surpreendente Clarisse Niskier.

O que as duas "coisas" têm em comum ? Exatamente o que coloquei logo acima: o avesso. Tudo aquilo que achamos que conhecemos muito e dominamos de forma quase que irretocável, mas que de repente cai por terra, como uma avalanche nova e reconfortante de nos colocar como seres AINDA em processo de crescimento e por que não dizer de ignorância.
Imaginem um título como "A Sagração da Primavera". Lindo não é mesmo ? Algo como pássaros leves, flores coloridas, borboletas lançadas ao vento, campos perfumados e para completar, umas camponesas ou até fadas por entre lindas árvores com frutos. Pois essa imagem é só uma imagem. Algo que nossa mente faz e constrói com aquilo que por muitas vezes queremos que seja. Há exatamente 97 anos atrás, esse senhor Stravinsky chocou o público nobre parisiense com a tal Sagração, que de acordes doces e leves, como as lindas e padronizadas imagens descritas acima, não tinha absolutamente nada.
O texto abaixo, fala um pouco do que ocorreu naquela noite e ele por si só representa a "imoralidade" insuperável do "louco" Stravinsky:

"O auditório ficou em silêncio durante dois minutos, depois, de repente, vaias e assobios desceram das galerias, acompanhadas logo em seguida pelas ordens inferiores. Houve espectadores que começaram a discutir e a atirar-se, uns aos outros, tudo o que tinham à mão. Em breve esta cólera se dirigiu contra os dançarinos e depois, ainda com mais violência, contra a orquestra, que era a verdadeira responsável por esta crise musical. As coisas mais variadas foram-nos arremessadas; apesar de tudo, continuamos a tocar..."

LINDO! RETUMBANTE grito de clamor ao que pode ser visto e sentido de forma diferente. Foi assim que me senti quando tive o privilégio de estar na Sala São Paulo ouvindo o "cataclisma sonoro" de Stravinsky. E para dar mais ênfase, lindamente interpretado (o tal "cataclisma") pela NOSSA (essa sim é nossa mesmo) OESP, que me surpreende cada vez que tenho o privilégio de ouví-las com seus músicos de primeira linha, que não devem nada aos músicos lá de fora. Uma orquestra que entendendo e sentindo a força e a mensagem do compositor, parava estática e brilhantemente a cada forte acorde. Um silêncio imoral, desconhecido por muitos.
E o que Stravinsky quis dizer com a sua Primavera incandescente ? Isso mesmo. O incêndio daquilo que consideramos estabelecido ou que nos foi "ensinado" como certo. Como moral. Sair desse conforto do conhecimento conhecido é privilégio para poucos. Mas é exatamente nessa saída, nesse rompante de descoberta e desapego, que conseguimos crescer verdadeiramente. Que conseguimos entender o "outro" e nos distanciar, mesmo que por alguns instantes, do nosso lado crítico egóico.

Nesse mesmo "tom" da alma, vem Clarisse e Nilton (sim porque já são íntimos meus, porque tocaram o meu coração), com a SUA e por que não dizer a NOSSA Alma Imoral. Um texto brilhante e claro na sua confusão delirantemente avassaladora e esclarecedora, que nos faz recriar, repensar, resentir (no bom sentido), reavaliar, refazer. Tudo junto mesmo.
Lidar com a filosofia do estabelecido. Enxergar o certo e o errado em uma das formas mais simples que já vi na vida. Entender ou pelo menos saber sobre a obediência e a desobediência. E o mais impactante: entrar nas vísceras das fidelidades e das traições. Conhecer as razões e o funcionamento do traidor e o traído. Enxergar sem medo o justo e o injusto, a marginalidade e a santidade. Saber um pouco mais da alma e do corpo.
Essa imoralidade do saber e do mexer com o que está estabelecido e quieto (palavra que ouvimos muito quando crianças), foi e é sem dúvida, o combustível para sermos seres melhores, ou pelo menos para aprendermos a pensarmos, sentirmos e agirmos de forma diferente.
Assim mesmo, sagrando-nos imoralmente e corajosamente incorretos.
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