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setembro 2010

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A Raiva Pública.
23 de setembro de 2010 at 11:53 0
E então o garoto sucumbiu à raiva. É preciso entender que TODOS nós temos um "Neymar" (o jogador de futebol) dentro de nós. Todos nós somos "capazes" de ter e ser a raiva plena com os seus detalhes mais profundos de expressão. Pois ele sucumbiu. E por que se curvou diante "dela" ? Porque é humano, jovem, dinâmico, rico, imaturo, frágil. Mas acima de tudo porque está com MEDO. Insegurança plena dos que precisam da mecânica da raiva ou das ações chamadas intempestivas para demonstrar que estão com medo, que precisam de ajuda, mas que infelizmente não sabem pedir.

Tudo o que está em torno disso (da reação ao medo) tem ligação direta também com as nossas escolhas. Se escolhemos errado ou escolhem por nós ou escolhemos sem pensar, sem sentir, sem refletir; podemos sim nos cobrar mais tarde. E essa cobrança "velada" vem disfarçada, vem transvirada numa reação como essa tanto discutida na mídia. O Neymar pode fazer isso ? Claro que pode. Todos nós podemos. O que impede o Neymar e todos nós de termos esse tipo de reação ? Muitas e muitas coisas, mas dentre elas, a sociedade, as leis, os hábitos, o respeito, a religião, a família. Em muitas culturas e sociedades diferentes da nossa, o rompante da raiva é recebido com compreensão e aceitação. Em algumas culturas isso "liberta". Na nossa cultura isso pode "prender". Não estou fazendo aqui a apologia da raiva, mas faço a reflexão sobre o entendimento e a compreensão. Mais do que isso, faço a "chamada" para nosso DEVER em ajudar a nós mesmos ou àqueles que podem se perder. Damos sinais. Ah sim, damos muitos sinais. O problema é que hoje em dia estamos percebendo cada vez menos os sinais. Os pequenos e mínimos sinais.
O Neymar deve ter dado sinais. O Neymar com certeza deu sinais. E quem ajudou o Neymar ? Vi naquele dia no campo de futebol, um menino perdido tentando se achar. Vi um menino tentando ser HOMEM. Vi um homem querendo ajuda.

Sabemos muito pouco sobre a história das pessoas para julgá-las. É muito fácil julgar. É bom julgar. Isso dá um lugar bem confortável ao EGO. E nesse julgamento nos distanciamos da nossa verdadeira essência humana que é a convivência e a capacidade de agregar, de aceitar, de entender. A raiva do Neymar tem motivos. A agressão - que é a forma mais literal da raiva de expressar - também tem motivos para aparecer. Da mesmoa forma que o AMOR precisa da afeição para se expressar, a RAIVA tem a agressão para dizer que está ali. A diferença é que aceitamos mais facilmente o amor, mas definitivamente não aceitamos a raiva. Volto a dizer; muitas das vezes a raiva é um "pedido de socorro" . Digo que a raiva é irmã do desespero e que a agressão é irmã do grito. E quando estamos desesperados pedimos ajuda, socorro; "escrevemos" o SOS na areia da praia, assim bem grande. O SOS que quer dizer Save Our Souls ou Salvem Nossas Almas. O Neymar está escrevendo um belo SOS na praia...

O mais importante disso tudo é observar, é prestar atenção na recorrência da raiva, no hábito dela aparecer mais frequentemente. Isso é sintomático e nos mostra que algo não está funcionando direito. Nos mostra que coisas, sentimentos, relações estão fora do lugar. E quando as coisas estão fora do lugar precisamos, pelo menos perguntar, o porquê ou o para quê elas estão fora do lugar. E é preciso dizer que tem pessoas que "funcionam" muito bem com a expressão frequente da raiva. E ai dizemos: fulano é tão raivoso...tem tanta raiva....é tão agressivo...
Podemos ter quase certeza de que na maioria das vezes essa raiva e essa agressividade tem um lugar que de uma certa forma "conforta", aquece, dá sentido. Essa pode ser a maneira dessa pessoa dizer que é IMPORTANTE, que está viva, que MERECE atenção. Mas acima de tudo, pode estar querendo dizer: "por favor me ajude". O problema é que ela, a pessoa, não sabe que precisa de ajuda. Dilema. Mais um dilema que temos na vida. É como o animal, que acuado e ferido num canto; agride, rosna, ataca, morde. Castigamos ? Batemos ? Matamos ? Expulsamos ? Acusamos ? Desprezamos ? Na maioria das vezes a resposta é SIM.
O Neymar colocou publicamente a raiva na frente te todos nós. Talvez ele nem entenda muito bem o que está acontecendo e normalmente a raiva nos deixa assim meio "cegos". É a famosa frase: ficou CEGO de raiva. Isso mesmo, a raiva cega. E cega porque não vê seus verdadeiros motivos, não enxerga a clareza das dores, as razões da dor mais profunda. A dor também cega e quando sentimos dor, GRITAMOS. Alguns mais, outros menos; mas gritamos, pedimos ajuda, queremos remédio. E quando a dor nos deixa muito fragilizados, pedimos carinho, queremos compania, queremos AMOR.

A cura então à essa dor, à dor da raiva, é sim o AMOR. E ai vem a pergunta: quanto AMOR e CARINHO o Neymar teve ou tem na vida ? Uma booooooa dose de amor durante muito tempo, pode sim ser uma excelente "vacina" preventiva à dor da raiva, que se expressa com muitos sintomas, mas que sobretudo vem com a doença agressão.
Então, prestemos atenção nos sintomas dessa "doença". Olhemos pois para os nossos filhos, amigos, amores, familiares e para nós mesmos com o propósito claro e legítimo de colocar o amor em prática. Amor na prática é afeição, é gentileza, compreensão e ajuda.
Pois que o Neymar seja AJUDADO, mas acima de tudo que seja AMADO verdadeiramente ao invés de "COMPRADO".
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Ao MESTRE com Carinho
3 de setembro de 2010 at 01:38 0
Hoje, dia 02 de setembro foi um dia de carinho. De querer escrever esse texto em homenagem a um mestre. Mesmo que ainda não seja de fato, já o é de direito. Esse mestre que ensaia sua nova entrada no mundo mágico e poético da academia dos grandes e eternos mestres e doutores, é meu amado filho. Aos 22 anos, foi aprovado para o mestrado em Antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Hoje meu dia se encheu de luz e recompensas. Hoje minha vida fez mais sentido. Hoje tive vontade de GRITAR. Por isso estou "gritando" agora nesse texto dedicado ao meu mestre com todo meu carinho.

Devemos sim aprender com os nossos filhos, com o nosso legado, com as novas e maravilhosas gerações. Meus filhos me ensinam, me alimentam, me orgulham, me engrandecem. Não pela sensação do tal "dever cumprido", pois esse "dever" serve para os pais "culpados". Apesar de por vezes me pegar dizendo essa loucura (o dever cumprido), acredito que não é dever, é AMOR. E amor não deve nem cobra. Amor é. Simplesmente é. Nessa toada doce e reconfortante do maior amor do mundo, hoje dia 02 de setembro meu filho foi o filho mais amado. Hoje; e digo, só por hoje, me senti um pai melhor. Essa expressão ecoa em meu coração e na minha alma como o aprendizado dos irmãos do vício que na força da consciência esperam o dia acabar para agradecer pela abstinência. Pois hoje só por hoje me senti um pai melhor. Um pai aprendiz. Esse exercício maravilhoso de ser pai, deve ser tragado e vivido um dia de cada vez.

Vi durante o tempo que antecedeu às provas, meu filho se colocar a seu próprio favor numa disciplina - que só os plenos de si são capazes de realizar - memorável, delicada, tranquila e certeira. Passar no mestrado do Museu Nacional era seu objetivo e com toda calma e segurança, foi assim buscá-lo e o encontrou. Vejo no meu maravilhoso trabalho de hoje, tantos profissionais com muito medo do resultado, com temor ao risco e mais do que tudo, sem enxergarem o seu próprio poder. Pois meu filho se "empoderou" com toda humildade e lutou muito para conseguir. Por vezes não conseguimos, por vezes conseguimos. Tarefa árdua essa a da dúvida do final. O "não saber" no que vai dar. Tarefa reconfortante essa da confiança em nós mesmos e na nossa capacidade de buscar o resultado; e com toda a nossa energia, exercer dignamente o nosso MELHOR.

Hoje aprendi mais um pouco com mais um mestre que entra na minha vida. E digo que estou aprendendo com meu outro mestre que postula a vaga de universitário. Meu outro mestre, meu outro Amor. Para esse dedicarei muitas linhas no ano próximo. Para esse curvo-me de inspiração por ver a luta diária pelo "seu lugar". Nossa luta pelo nosso "lugar". Todos os dias lutamos por isso. Pelo nosso "lugar". Acredito que meus filhos entenderam que quando vieram para esse mundo, deixaram o melhor lugar que a vida pode ter lhes proporcionado. Alguns por 9 meses, outros por menos...Mas é um lugar. Aliás, o único nosso lugar. Os outros lugarem são passageiros demais. E como são...
Então agora um dos meus mestres terá um novo lugar. E eu estarei pronto para acompanhá-lo em mais uma jornada de encontros, em mais uma estrada de descobertas, em mais um privilégio da existência. Estarei pronto para aprender ainda mais. para ouvir ainda mais a cada dia e para assim, ter a certeza do AMOR em cumprimento. Em andamento, em exercício. Esse amor que não acaba. Esse amor que não pára. Esse amor que me faz ser melhor e maior a cada dia.

Obrigado filho pela luz que você colocou dentro de mim. Hoje, só por hoje te agradeço e te dedico esse texto, meu amado mestre. Com todo meu carinho.
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