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fevereiro 2011

Sem categoria
A Perfeição
6 de fevereiro de 2011 at 23:36 0
A palavra que ecôa no filme O Cisne Negro é a que por muitas vezes nos persegue: PERFEIÇÃO. Foi isso e muito mais o que se pode ver e sentir nesse filme onde Natalie Portman mostra o que pode ser feito quando verdadeiramente entramos em FLOW. O thriller super psicológico e bastante tenso, revela uma atriz que há muito tempo não via. Revela também de forma visceral o nosso lado luz e o nosso lado sombra.
Na verdade faz uma inversão do esteriótipo da luz que pode ser boazinha, doce, terna, educada, mas FALSA. E por outro lado, a dita sombra assim meio rebelde, livre, solta, sem muitos dogmas e abruptamente voraz, mas que ao mesmo tempo se mostra VERDADEIRA. Uma obra prima de filme que apesar das fortes cenas de tensão, se expande num horizonte de verdades desconhecidas por muitos, como por exemplo a FORÇA e a GARRA desavergonhadas que nos fazem crescer, mostrar quem realmente somos, liberando por muitas vezes o nosso MELHOR.

A perfeição tão buscada por Nina, a bailarina do Cisne, é sem dúvida o seu maior lado sombra. Quando queremos e almejamos essa perfeição, nos esquecemos de que é exatamente no dito imperfeito que está a nossa capacidade de revelação maior, que está o nosso ímpeto de liberar o nosso melhor sem o medo do JULGAMENTO. Se achamos que seremos julgados e criticados é porque nos julgamos e nos criticamos primeiro. Nina fica presa nessa armadilha do medo que a impede de ser ao mesmo tempo a bela e a fera. Sem que a fera seja essa coisa má e temida. A referida fera é a autenticidade que se joga e se doa no seu mais digno papel: o da liberdade.

O filme é a nossa realidade nua e crua. Vista e velada. Somos nós nos papéis opostos de luz e sombra nesse disfarce que por muitas vezes, nos faz seres bloqueados e infelizes.
A perfeição buscada e perseguida é um caminho muito perigoso. Muito mesmo. Ouvir o elogio (ou ameaça) de que o que fizemos foi perfeito, nos joga direto no tal do EGO, que por sua limitação binária nos estimula a querer repetir o feito para a tal perfeição chegar ou ser reconhecida. É claro que queremos fazer bem feito, mas isso é diferente de querer a perfeição. O perfeito melhor vem do nosso coração aquecido, do nosso sentir pleno e da nossa auto-estima elevada por nós mesmos e pelas pessoas que amamos.
Nina precisava de aprovação e reconhecimento o tempo todo. Lamentável eqúívoco da sombra, que pela falta de luz se esconde no olhar e no reconhecimento do outro. E aí vem uma corrente que pode não ter fim: quanto mais necessitamos da aprovação do outro, mais nos distanciamos de nós mesmos, mas aguardamos o julgamento, mais desenvolvemos o senso crítico exagerado, mas pensamos o que vestir para nos enquadrar no sitema alheio, mas nos atrofiamos, mas nos abandonamos, mais e mais nos excluímos. É claro que temos dógmas e paradígmas numa sociedade, mas acima disso está a nossa verdade interior e a nossa inteligência emocional que deve ser capaz de olhar para o relativo e entender o contexto ao invés de SER o contexto.

Cada cena do filme tem um valor de vida impressionante. Os diálogos e as palavras simples ou exageradas, nos remetem ao poço que somos. Algumas pessoas têm poço com fundo, outras têm poço sem fundo. Quando a gente tem a oportunidade inigualável de chegar no chão do poço - como a Nina conseguiu - temos a chance de pular ou de ficar por lá mesmo. Parados. A briga entre a luz e a sombra é ferozmente descrita no Cisne Negro. Uma delícia arrepiante de ver e sentir. Ela brigando com ela mesma para ser uma pessoa só e de preferência PERFEITA. Que coisa !!!

O grito imposto pelo Diretor da compahia de balé para que a Nina SINTA é retumbante. Bate na gente como uma pedra quente de fogo, nos golpeando para parar de pensar na perfeição, na técnica, no processo, no julgamento e partir para o fluxo do sentir e da verdadeira emoção. Aquela que é só nossa, de mais ninguém. Assim, desse jeito o tal diretor diz pra ela sentir raiva, indignação. Diz pra ela acordar, se importar e parar de pedir desculpas. Muitas desculpas podem significar muitos medos. Medos que escondemos até de nós mesmos para não nos julgarmos. Loucura ? Não. Verdade.
Pois então, libertados no medo do julgo, somos seres plenamente capazes de caminhar na "freeway" da prosperidade e do sucesso. O melhor da gente vem da gente. Nossa luz e nossa sombra quando se conhecem e passam a conviver sem medos ou preferências, se distanciando assim do embate pela perfeição, podem dar bons resultados para nós e para os que nos cercam.
É também uma questão de escolha. Uns preferem viver na luz, outros na sombra. Mas o excitante mesmo é ter os dois cisnes dentro e fora de nós. O branco e o negro. Mesmo que do lado avesso, sendo o negro a maior e mais arrebatadora forma de dizer que a perfeição não cabe para os que querem a LUZ e a LIBERDADE.

Gosto quando pessoas fazem filmes ou qualquer arte que dá uma sacudida na gente. Contribuição maravilhosa do diretor Darren Aronofsky. Esse filme me sacudiu e tenho certeza de que ainda vai sacudir muita gente.
Desejo sinceramente uma vida IMPERFEITA para todos nós !!!
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