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Carnaval, Corporação e Gente

19 de fevereiro de 2010 0

Esse carnaval foi cheio de surpresas. Estive lá na Sapucaí por mais um ano. Adoro o movimento da avenida, o clima de euforia, de alegria e nervosismo. Tem de tudo. É uma grande escola do comportamento humano, daquilo que não se espera e de tudo que podemos fazer por um momento de fama. Gosto mesmo é de ficar de cara pra avenida, ali bem do ladinho dos que passam querendo ver e ser vistos. Querendo o seu momento de glória e êxtase, na busca da alegria, do prazer e da fantasia. Literalmente se fantasiam de tudo, de qualquer coisa e vão na corrente dos que nem sabem como vai acabar, mas na esperança de que vai acabar bem. É o imprevisto mais previsível do mundo. Todos sabem que vai dar certo, mas ninguém sabe como dá certo. É uma engrenagem que até os maiores especialistas em shows internacionais não sabem como aquilo pode acontecer de maneira tão sincronizada e harmônica. Virou Broadway? Virou. Tem pirotecnia? Tem. É show de tudo? É. Tem mágica, inclusive? Tem. Mas no meio disso tudo tem a baiana se esforçando pra sobreviver, tem a velha guarda levando o coração na mão, tem as passistas (antigas cabrochas) mandando no pé (coisa rara…), tem porta bandeira e mestre sala que fazem o seu trabalho com orgulho e sem se preocupar com as fotos e câmeras, tem as crianças lá do morro que cantam alto e levam a escola no grito, também tem a comunidade que salva os turistas estrangeiros que não sabem nem o nome da escola, mas estão lá no meio disso tudo.
É pois, uma empresa diversa. Uma corporação com todos os seus tipos de gente. Com seus departamentos, seus chefes, sua hierarquia. Tem os da velha guarda e tem os que estão entrando. Os trainnees. Isso mesmo, um exemplo de corporação que se organiza o ano inteiro para colocar o “produto” na rua, para lançar o seu projeto e torná-lo realidade em 90 minutos. E sabem o que acontece ? Eles conseguem. E por que conseguem ? Mesmo com os imprevistos, eles lançam o produto e cumprem com o objetivo. Mas por que conseguem ? Conseguem porque todos são respeitados. Todos no seu lugar fazendo o seu melhor (incluindo o turista acidental) e a artista que quer aparecer. Tem a harmonia da escola que “controla”, verifica, toma conta, fica alerta. É uma organização completa. Perdendo ou não, ela sai do papel e vai para a prática. Muita ação e pouca reunião.

Mas isso tudo tem paixão, tem alma e descontração, apesar da tensão natural de quem está lançando um produto. Também tem método, processo, planejamento. Mas sobretudo tem (ainda na maioria) o desejo COLETIVO da vitória. Não é a minha ou a sua. É a nossa vitória. E isso faz toda a diferença. E não tem o “não me toques” da corporação “normal”. Se não estiver cantando o samba e não estiver dançando, alguém grita: “Canta porra!!!” E sabe o que acontece ? Eles cantam. Entendem e fazem. Partem para a ação porque o que está ali é a alma e não o ego. A alma não é crítica. Ela vê e sente o que deve ser feito pelo todo e faz. Já o ego…

Vi cenas incríveis nesse desfile. Como em todos os anos, mas neste em especial o meu olhar foi diferente, observando o quanto devemos ser mais alma e menos ego. No caso da porta bandeira, ela empresta o seu ego para o pavilhão da escola (empresa) e dança com ela (empresa) na mão, suave, linda, alegre, reverenciando a sua “marca” do coração. E por vários momentos, na frente do público e dos jurados, ela (porta bandeira) e ele (mestre sala), beijam a sua “empresa”, a sua “marca”. Uma aula de Marketing, de Gente e de Amor.
E na toada do samba, cada ala fica no seu lugar dando o melhor de si, sem que uma invada a outra, mas com todas dançando e cantando e fazendo o seu trabalho no mesmo ritmo e por um único propósito: a alegria e a vitória.

Acho que os líderes das empresas “normais” precisam ir mais pra Sapucaí com um outro olhar, que não o da bebedeira e o da diversão.
Bom pós carnaval pra todos.

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